É preciso ordenar páginas para que a história faça sentido. É preciso chegar ao fim para saber se a história terá um final feliz ou trágico. Mas, como no livro que relata um determinado período da vida de personagens, como vou saber se as pessoas serão felizes para sempre? E se eles brigarem em seguida e se separarem? Sempre duvidei de histórias de contos de fadas. E depois, o que acontece? Acordo estranha e completamente sóbria. Sento na mesa com toda a calma do mundo e estou tentando responder essas perguntas enquanto olho para os papéis em branco, exata meia hora. Qual é a motivação certa? Porque eu precisaria encontrar a motivação certa para voltar a escrever. Fecho os olhos e me concentro. Percebo que estou extremamente calma. Lembro do meu vestibular. Lembro dos últimos pensamentos antes da prova. Não, não pensei na minha mãe. Também não pensei o quão duro eu tinha dado para chegar até ali. Só pensei em deixar a minha marca. Só pensei em escrever o que sou. Traduzir em palavras o que sou. O que me fez e diz durante o ano todo e a minha vida inteira. De moro que quem corrigisse a minha prova veria o quanto eu me esforcei, o quanto aprendi e o quanto eu quero ser aceita pelo que sou. Eu não seria perfeita, também nunca viria a ser. Mas eu estava lá com a certeza de que isso é tudo e somente o que posso fazer e que eu terei orgulho em preencher todos aqueles espaços em branco com a minha história de vida. Todos diziam que o que eu queria era impossível. Eu sei que não. E o que me importa agora é o que eu sei.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
É preciso ordenar páginas para que a história faça sentido. É preciso chegar ao fim para saber se a história terá um final feliz ou trágico. Mas, como no livro que relata um determinado período da vida de personagens, como vou saber se as pessoas serão felizes para sempre? E se eles brigarem em seguida e se separarem? Sempre duvidei de histórias de contos de fadas. E depois, o que acontece? Acordo estranha e completamente sóbria. Sento na mesa com toda a calma do mundo e estou tentando responder essas perguntas enquanto olho para os papéis em branco, exata meia hora. Qual é a motivação certa? Porque eu precisaria encontrar a motivação certa para voltar a escrever. Fecho os olhos e me concentro. Percebo que estou extremamente calma. Lembro do meu vestibular. Lembro dos últimos pensamentos antes da prova. Não, não pensei na minha mãe. Também não pensei o quão duro eu tinha dado para chegar até ali. Só pensei em deixar a minha marca. Só pensei em escrever o que sou. Traduzir em palavras o que sou. O que me fez e diz durante o ano todo e a minha vida inteira. De moro que quem corrigisse a minha prova veria o quanto eu me esforcei, o quanto aprendi e o quanto eu quero ser aceita pelo que sou. Eu não seria perfeita, também nunca viria a ser. Mas eu estava lá com a certeza de que isso é tudo e somente o que posso fazer e que eu terei orgulho em preencher todos aqueles espaços em branco com a minha história de vida. Todos diziam que o que eu queria era impossível. Eu sei que não. E o que me importa agora é o que eu sei.
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